Em 2011, o Grupo Germanni esteve presente através das representantes Luciana e Keiko na Entidade Santa Teresa, em Ravenna, Itália.
Luciana e Keiko trabalharam voluntariamente por três meses e vivenciaram muitos momentos com pessoas idosas e com graves deficiências.
Foi uma experiência marcante e que com certeza estará para sempre em seus corações.
Organizaram algumas arrecadações para o Projeto Olhando para o Futuro, através da venda de brincos do Brasil e do livro Construindo Vidas.
Luciana e Keiko relatam experiência
Sempre tivemos o desejo em fazer algo através do Grupo Germanni pela Italia e nesse ano de 2011, tivemos a oportunidade de estarmos substancializando um pouquinho do nosso desejo, um pouquinho, porque ainda queremos fazer muito mais…!
Passamos três meses na Italia, uma experiência muito gratificante, graças ao trabalho do Claudinei (fundador do nosso grupo) que há mais de vinte anos em uma de suas experiências na Itália, conheceu o italiano Giovanni. Ao longo desses anos foram mantendo contato e através de uma indicação sua, fomos recebidas para um trabalho voluntario no Opera Santa Teresa (um instituto católico), um local imenso, que atende a pessoas idosas, doentes e deficientes. É um abrigo, um hospital, em meio a mini capelas, igrejas, farmácia, lavanderia, cozinha, teatro e até sala para velório. Um local que cresceu gradativamente através do trabalho voluntário.
Nossa missão começava às oito horas da manha e terminava às sete e meia da noite, de segunda a sexta e alguns sábados.
O Opera possui quatro andares, divididos em departamentos , de homens e mulheres idosos e doentes, sacerdotes idosos e doentes, deficientes físicos e mentais. Fomos designadas a ficar no departamento das crianças, chama-se Reparto Bambini, mas que surpresa ao chegarmos! Afinal criança, só havia uma de dez anos, a pequena Giulia, e que na verdade parecia um bebe com menos de um ano. Estávamos no lugar certo? Sim… departamento das crianças porque todos são deficientes, cada um com uma debilidade diferente da outra e são cuidados como crianças. Eram 13 crianças, cada uma se expressando de formas diferentes, as idades entre 21 a 98 anos… com exceção da Giulinha, que tem 10 anos. Um falando sozinho, um olhando com cara feia, um que simplesmente fica parado o dia, a noite toda…um babando, chorando, repetindo a mesma coisa… enfim!
Assim que chegamos no departamento fomos recebidas com gritos de alegria , era a Alina (uma Romênia) e a Luciana (italiana). Alina, 21 anos e Luciana, 33 anos. Digamos que elas são as que podem se expressar mais, pois, escutam e enxergam… Luciana é como uma criança de três anos, esta sempre na cadeira de rodas e com um babador na boca (ela coloca o babador quase inteiro na boca! para controlar sua ansiedade, para não morder a mão… o babador a ajuda manter calma. Ama revistas e tênis… Sua cadeira de rodas esta sempre cheia de revistas que ela folheia quando esta calma… Para fazê-la comer, para que ela tire o babador da boca, falamos que vamos dar a ela um belo par de sapatos, nisso ela vibra de contente, tira o babador da boca e pode comer com tranqüilidade… Alina, linda… que triste vê-la na cadeira de roda… ama dançar, cantar, é uma adolescente carinhosa, precisa de muita atenção o dia todo. Sua emoção é a flor da pele, adora pessoas, não gosta de dormir…
Enfim… Conhecemos cada um do departamento juntamente com a enfermeira e a freira responsável, que falava de cada doença, mais especificamente como cada um se expressava afinal estaríamos ali com eles todos os dias. Conhecemos as funcionarias que trabalham no Opera e os voluntários que semanalmente vão para dar um pouco de atenção para os grandes pequenos…
Todos os dias nós ajudávamos dar o café da manha, com muito cuidado, para não engasgarem, com cada um uma técnica que a cada dia íamos aprendendo com as funcionarias que carinhosamente nos ensinavam. Brincávamos de quebra cabeça, de pintar, de bola, levávamos eles para passear no jardim, acompanhávamos a missa, ajudávamos a dar o almoço e o jantar. Cada dia, nos passeios, acabávamos por ter outras experiências com velhinhos que encontrávamos naquele imenso local… Todos já nos conheciam, éramos as japonesas-brasileiras que estávamos ali para uma experiência. Todos querem atenção, um bom dia que dávamos era uma chance de escutarmos a historia de pessoas que estão ali pela doença ou simplesmente porque estão velhos e suas famílias não podem mais cuidar. Ou pessoas que não tem ninguém. Velhinhos e velhinhas, com historias de vida, de luta, gratos por ter naquele lugar abrigo e cuidados médicos, mas no fundo do coração, com uma dor, uma magoa, porque todos gostariam de envelhecer em suas casas, com suas famílias, afinal imaginem que triste você trabalhar, construir toda a vida e o resto dos dias longe de tudo e de todos que você ama. Gratidão sim… Mas tristeza também… Alguns se expressam e mostram sentir mais… Outros já parecem mais acostumados com a realidade que a vida os apresenta…
Foi uma experiência que jamais iremos esquecer. Vimos alguns familiares visitarem os pacientes, vimos alguns morrer. Por vezes pensávamos… Onde estão os pais dessa criança? Porque ela nasceu assim? Isso pode acontecer comigo, com qualquer pessoa… Mas será que estamos preparados para essa realidade?
Assim cada vez mais vimos a importância de cuidarmos do nosso eu interior, de melhorarmos o nosso ser, lapidarmos o nosso coração, levarmos vida para as pessoas e não somente viver por viver. É tão importante conhecermos as pessoas e mantermos essa relação para toda a vida para jamais sermos sozinhas! A solidão é muito triste!
O que importa não é quantidade… Não é termos uma lista imensa de amigos no nosso face book, no nosso Orkut, na nossa agenda telefônica se não tivermos nem que seja uma pessoa verdadeiramente próxima em coração.
Que todos um dia possam também ter uma experiência de perto com esse tipo de pessoas… É difícil SIM, mas lidar com seres humanos *sem deficiências físicas ou mentais… também é… e talvez ate muito mais! Somos tão perfeitos e tão imperfeitos!
Queríamos compartilhar fotos de cada um que tivemos cuidando, mas infelizmente devido as regras de privacidade do local não podemos!
Mas aqui está um pedacinho da nossa experiência e que um dia possamos voltar naquela nação (através do nosso grupo) para fazer mais pelos italianos… Passo a passo, degrau por degrau… para chegarmos a outras nações também e compartilharmos experiências como essas e conquistarmos corações para toda a vida!!!
Ah, sim, e a Italia é lindaaa!!! E foi muito bom conhecer todos não só no Opera mas também aqueles que tivemos contato nos nossos finais de semana, onde pudemos estar divulgando um pouco mais do trabalho do grupo e do livro Construindo Vidas!
Grazie Italia!
Podemos ser e fazer muito mais do que somos e fazemos, basta acreditarmos!!!!!!
Luciana Goto e Miriam Oshita













